LIXO ELETRÔNICO – ORIENTAÇÃO, DISTRIBUIÇÃO E SUSTENTABILIDADE  
 

 

RESUMO

Com a crescente demanda da população por novas tecnologias, gera-se um incentivo para a criação e fabricação dos mais diversos produtos eletrônicos. Contudo, esse conforto gerado principalmente pelos computadores, cada vez mais rápidos e com as mais diversas funções, oferece os mais diversos riscos e impactos a própria população utilizadora.
Esta população utilizadora não percebe os componentes tóxicos, as partes plásticas e a grande acumulação pública, que ao longo dos tempos está contaminando nosso ambiente, estes componentes levam anos para serem decompostos e possibilitam a proliferação dos mais diversos tipos de pragas. Sem responsabilidade nenhuma, estes componentes são despejados na natureza.
Este projeto aborda além dos componentes que contaminam a natureza, os riscos que geram e qual a preocupação das empresas que o fabricam. Também o que se pode fazer com este lixo, quando reaproveitado, para onde deve ser encaminhado cada componente após separado e o que se pode desenvolver como produto. Na questão da sustentabilidade financeira, este projeto propõe soluções ás entidades que participarão fornecendo materiais recicláveis.
Paralelamente será desenvolvido um curso de aprendizagem sobre eletrônica, para ensinar como construir produtos sustentáveis com o lixo eletrônico.

Palavras-chave: computadores; sustentabilidade; contaminação; reciclagem; eletro-eletrônicos.


DESCRIÇÃO DO PROBLEMA

A Tecnologia de Informação, denominada como TI, tem um passivo ambiental grave. Haja vista que seus resíduos são jogados sem controle ao ambiente, o lixo eletrônico não só leva milhares de anos para decompor-se como também é um problema ambiental e de saúde pública por conta das substâncias tóxicas utilizadas em sua fabricação, como chumbo e mercúrio, que podem contaminar o solo ou os lençóis freáticos e causar doenças como câncer, por exemplo, ou mutações em pessoas cujas moradias são próximas aos lixões onde as máquinas foram jogadas sem o devido cuidado.
Além de colocar diversos gases poluentes na atmosfera, como os altamente tóxicos e cancerígenos PAH (Hidrocarbonetos Policíclicos Aromáticos), a prática também culmina com problemas relacionados ao combustível gasto para a realização da queima.
O problema ambiental dos equipamentos de tecnologia envolve mais do que a disposição dos produtos, a sua fabricação, que causa sérios danos. Para ter uma ideia, a produção de uma estação de trabalho de 17 polegadas demandou, em 2004, 240 quilos em combustíveis fósseis, utilizou 22 quilos de produtos químicos e cerca de 1,4 mil litros de água. As Informações são do livro Computers and the Environment: Understanding and Managing their impact(Computadores e o Meio Ambiente: Entendendo e Gerenciando seus impactos), lançado em 2004 pela Universidade da Organização das Nações Unidas (ONU, 2009).
Como um programa voltado ao estudo do reaproveitamento do e-lixo pode contribuir para o desenvolvimento sustentável de uma região?
O objetivo geral do presente estudo visa desenvolver um Programa Regional de reaproveitamento do lixo eletrônico, que possa contribuir para sensibilização da população da região de abrangência em estudo, sobre a falta de controle da poluição tecnológica. O objetivo deste projeto será abordar teoricamente conceitos de cunho ambiental, tecnológico e social; Apresentar exemplos de boas práticas empresariais em reaproveitamento do e-lixo; - Criar uma campanha institucional para reduzir, reciclar e reutilizar equipamentos ultrapassados, propiciando a possibilidade do aproveitamento da matéria-prima para fabricação de novos produtos ou componentes, com apoio de diversas entidades envolvidas na causa da preservação do meio ambiente.


INTRODUÇÃO

O lixo eletrônico está presente em nosso cotidiano, trazendo muita preocupação para as pessoas que não sabem o que fazer com ele e para as entidades que querem fazer algo e não sabem muito bem o quê. Segundo Rodrigues e Cavinatto (2003, p. 6), Para um melhor entendimento faz-se necessário conceituar, o termo lixo:
A palavra lixo, derivada do termo latim lix, significa "cinza". No dicionário, ela é definida como sujeira, imundície, coisa ou coisas inúteis, velhas, sem valor. Lixo, na linguagem técnica, é sinônimo de resíduos sólidos ou não, representado por materiais descartados pelas atividades humanas.
Baseado neste conceito, a abordagem que se faz sobre a reciclagem está direcionada na reutilização deste material para fins educativos, construtivos e econômicos, lembrando da preocupação com a eliminação dos produtos tóxicos contidos nas peças dos equipamentos jogados no lixo.
O lixo eletrônico já vem sendo tratado pela mídia visual, com anúncios nos principais canais de televisão, porem existe uma lacuna, que é bem grande, entre alertar para o lixo que está sobrando e o que fazer com este lixo. Este é um dos enfoques deste projeto, destinação correta das partes ou peças dos eletroeletrônicos em geral, de modo que seja útil e vantajoso para sociedade. Generalizando, somente as ONGS cuja finalidade é a proteção ambiental buscam divulgar esse assunto. A situação na qual se encontra a sociedade, diante do uso incessante de produtos eletrônicos e de seu descarte, merece a devida atenção e precisa ser resolvido o mais breve possível, pois os riscos oferecidos são vários, e a maioria ainda desconhecidos.
Outro enfoque será o reaproveitamento de algumas peças e componentes para a fabricação de artesanatos junto às escolas públicas municipais, estaduais ou federais, onde este material poderá servir para desenvolver a construção intelectual e educacional dos alunos presentes. Dessa forma, dando um rumo mais social ao lixo. Os impactos gerados pela evolução tecnológica, tanto para a saúde humana quanto para o meio ambiente, serão analisados pela orientação de profissionais das áreas química e biológicas, para sabermos o quanto tóxicos são os componentes encontrados nos equipamentos eletroeletrônicos descartados no lixo.

Desenvolver um projeto de aprendizagem de eletrônica baseando-se no aproveitamento de componentes eletrônicos, motores, engrenagens e correias, retirados do lixo eletrônico e assim proporcionar a criação de circuitos automatizados rentáveis aos participantes do curso alem do crescimento educacional e profissional, através de aulas teóricas-práticas ministradas junto ao ambiente de reciclagem e, por fim, diante da legislação ambiental vigente, verificar a possível responsabilidade jurídico-ambiental das fabricantes destes equipamentos que fazem parte do lixo eletrônico.

METODOLOGIA

Para abordagem inicial do tema, será executada uma pesquisa sobre os geradores deste lixo e como armazená-lo de forma a não contaminar o meio ambiente, mas que possa ser trabalhado de forma a ser reaproveitado por outros indivíduos.
Após o ambiente de armazenagem estar corretamente definido e normatizado, o próximo passo são os estudos sobre os componentes químicos e toxicológicos presentes nesse lixo, para que esteja bem claro e que se possam construir publicações sérias sobre este tipo de contaminação, para isso, será realizado um estudo minucioso sobre a construção dos principais componentes presente nos equipamentos eletroeletrônicos para entender e desenvolver a melhor forma do seu manuseio, quando estiver no lixo. Contatos com profissionais da área química e biológica para que em conjunto sejam estudados os riscos ao ser humano e assim definindo os componentes que poderão ser reutilizados e os que deverão ser encaminhados para devida destruição.
Para abordagem inicial do tema, será executada uma breve explanação sobre os tipos de equipamentos que são enviados ao lixo eletrônico e como armazená-lo de forma a não contaminar o meio ambiente, mas que possa ser trabalhado de forma a ser reaproveitado por outros indivíduos. Existe uma preocupação no correto destino do que “sobra” e não pode ser utilizado em outros fins, porém não existe uma orientação mais clara, para onde encaminhar este material, para isso ser resolvido, é necessário um envolvimento dos órgãos especialistas em cada área, química, orgânica, ambiental e de engenharia.  Mostraremos a preocupação de fazer contatos com profissionais da área química e biológica para que em conjunto sejam estudados os riscos ao ser humano e assim definindo os componentes que poderão ser reutilizados e os que deverão ser encaminhados para devida destruição.
Além de o lixo ser despejado na natureza, grande parte do e-lixo é mandado para a China, onde, em condições de trabalho degradantes, mulheres trabalham para recuperar componentes que têm algum valor, como metais preciosos usados em fiações. O que não serve é incinerado, liberando gases tóxicos no ar. Cerca de 50% a 80% do e-lixo coletado em países desenvolvidos é enviado para países como a China, para reciclarem, pois naquele país a reciclagem é cerca de dez vezes mais barata (pelo baixo custo da mão de obra), comparado aos EUA, onde ela custa em torno de US$0,50. 2
O estudo das instituições locais que podem receber os componentes que não forem prejudiciais a saúde, para que desenvolvam trabalhos manuais junto aos seus alunos, conforme descrito anteriormente e que desenvolvam produtos artesanais.

A construção de um curso de robótica, baseado em três níveis, básico, intermediário e avançado, para ensinar corretamente o que são os componentes presentes nas placas eletroeletrônicas e o que se pode construir reutilizando-os, também no desenvolvimento de projetos e produtos baseados em idéias dos próprios integrantes deste curso e com embasamento técnico suficiente para tornar este produto rentável aos seus desenvolvedores, criando assim uma possível fonte de renda a partir da venda destes produtos.
A importância de um curso dirigido ao ambiente de reaproveitamento está no fato de esta metodologia trazer economia na construção de projetos e poder direcionar os alunos na visão da reengenharia de construção, baseado em estudos que indicam uma durabilidade maior aos componentes retirados do lixo eletrônico, devido ás novas tecnologias de fabricação destes componentes, usados pelos alunos. O amadurecimento desta idéia poderá mostrar aos empresários uma fonte de economia no processo de fabricação de novos produtos, além de aumentar a possibilidade de uma vaga no mercado de trabalho para os alunos que aprenderam a utilizar as técnicas propostas.
Os integrantes deste curso ou oficina terão a possibilidade de construírem pequenos projetos de robótica, como robôs ou algum outro tipo de dispositivo autômato e utilizarão para seus projetos ideias originadas pela instigação feita pelos orientadores, pois o que o projeto deseja é desenvolver o indivíduo como um todo, não só tecnicamente mas intelectualmente.

RESULTADOS

Os resultados serão obtidos através de intensa pesquisa, que possibilitará um aperfeiçoamento das idéias citadas acima e uma maior análise dos materiais disponibilizados em livros e na internet, para que seja possível a manipulação de forma correta e uma construção documental com os dados coletados durante estas pesquisas e ao longo dos trabalhos práticos aplicados.
A primeira tarefa será voltada aos impactos gerados pelo avanço da tecnologia e o lixo gerado pelo que sobra dos equipamentos ultrapassados junto às empresas de tecnologia.
Com a produção de componentes eletroeletrônicos aumentado, devido a queda de valores internacionais de matéria prima, cresce a demanda por novas tecnologias, com isso, o faturamento da indústria eletrônica acaba sendo tão grande, que só perde para o da indústria petrolífera.
Como existem empresários que não se preocupam com o que sobra destas produções, devemos então produzir maneiras de informar e sensibilizar entidades governamentais e não governamentais na intenção de que haja alguma maneira de fiscalizar o direcionamento correto destas sobras de fabricação.

Por outro lado é necessária a produção de conhecimento através de pesquisas avançadas, para oferecer aos empresários a possibilidade de um avanço tecnológico da produção fabril e a diminuição de sobras – lixo – devido à utilização de métodos precários. Nos EUA, cerca de 50% dos computadores são descartados, mesmo estando em bom funcionamento, pelo fato de adquirirem eletrônicos de tecnologia mais avançada, conforme texto publicado no site
http://ban.org/Ewaste/technotrashfinalcomp.pdf, acessado em 19/10/2011.
Em uma segunda etapa, serão desenvolvidos estudos obre o correto destino do lixo eletrônico, tanto no quesito de direcionamento do lixo que prejudica o meio ambiente, como no estudo do que se pode construir a partir das peças que não produzem contaminação.
Existe uma preocupação no correto destino do que “sobra” e não pode ser utilizado em outros fins, porem não existe uma orientação mais clara, para onde encaminhar este material, para isso ser resolvido, é necessário um projeto de envolvimento dos órgãos especialistas em cada área, química, orgânica, ambiental e de engenharia.
Este projeto visa informar, com base cientifica documentada, quais os procedimentos a serem seguidos no correto direcionamento dos resíduos contaminantes, vindo a facilitar até as entidades municipais e estaduais que são responsáveis pela coleta deste lixo. Também orientar nas possíveis entidades que desejam receber as peças que não são contaminantes, para que reaproveitem na construção pedagógica de tarefas artesanais com alunos carentes.

A etapa mais importante será voltada a construção do conhecimento técnico sobre o manuseio dos componentes e peças reaproveitáveis do lixo eletrônico, com o desenvolvimento de um curso ou treinamento que seja direcionado aos indivíduos que desejam se atualizar tanto teórico como prático, em eletrônica, com a intenção de uma melhor chance de colocação no mercado de trabalho. A idéia é formatar este curso de maneira a ser uma base para outras entidades que atuem no tratamento do lixo eletrônico.
Este conhecimento será baseado em informações teóricas sobre eletrônica e eletricidade, com aulas práticas sobre a utilização dos componentes retirados do lixo e com pesquisas sobre possíveis equipamentos ou dispositivos rentáveis construídos com estes componentes do lixo eletrônico.

CARTILHA

O projeto Gerenciamento do Lixo Eletrônico: Uma solução tecnológica e social para um problema ambiental trabalha também na construção de uma cartilha orientadora para escolas e prefeituras, esta cartilha explica sobre os componentes tóxicos  contaminantes  encontrados  nos  equipamentos  descartados  para  o  lixo eletrônico, indicando os possíveis componentes maléficos, encontrados nas placas eletrônicas, e seus efeitos ao homem e a natureza, com o intuito de indicar o destino correto de cada componente, com uma lista de empresas que recebem estes componentes,  tanto  químicos,  quanto  físicos,  alertando  a  comunidade  da importância do correto manejo deste lixo.

COMPONENTES MALÉFICOS

Os materiais encontrados no lixo normalmente já estão danificados ou obsoletos, porem seus componentes eletrônicos, mecânicos ou plásticos ainda podem ser utilizados para alguma coisa, de onde podemos tirar estas peças ou partes:

      • Monitores de computadores;
      • Unidades de processamentos;
      • Impressoras;
      • Estabilizadores e transformadores;
      • HDs, DVDs, CD-ROMs e Scanners;
      • Cabeamentos diversos;
      • Televisores e rádios;
      • Máquinas elétricas diversas.

Destes aparelhos o que saem são Plástico, vidro, metais e elementos químicos.

PREOCUPAÇÃO COM O MEIO AMBIENTE

Explicar o que os materiais que compõem o lixo eletrônico contribuem para a contaminação do meio ambiente.


PLASTICO
As peças plásticas que não são reutilizadas e não são reaproveitadas, para onde vão? Lembrando que a média de decomposição destas peças é de 400 anos.

VIDRO
As peças de vidro encontradas nos aparelhos mais antigos não podem ser reutilizadas por terem tamanhos bem definidos, então podem ser reaproveitadas, pelo processo de trituração, mas onde se encontra isso e quem o faz?

METAIS
Muitas peças metálicas podem ser reutilizadas, com ou sem pequenas modificações, devido a sua maleabilidade, e o que não é vantajoso reutilizar, pode ser reaproveitado por derretimento, porem a maioria das empresas que fazem este tipo de trabalho só aceitam grandes quantidades de materiais, então, onde e como armazenar corretamente este lixo até que acumule a quantidade ideal para ser enviada ao processamento? 

ELEMENTOS QUIMICOS
São os componentes do lixo eletrônico que mais preocupam aos protetores do meio ambiente, porque facilmente se espalham no meio e são de difícil identificação por pessoas não habilitadas na área química. Pensando nesta dificuldade de identificação, o projeto propõe uma maior divulgação deste elementos químicos, as formas de identificação das peças que os contêm e da forma com que devem ser tratados.
Outra preocupação é o custo do manejo deste lixo, por isso estamos preocupados em justificar através de pesquisas realizadas junto ás empresas que já tratam o lixo eletrônico, se é viável ou para quem é viável, o interesse do tratamento do lixo eletrônico, porque muitas empresas não imaginam o que é possível reprocessar do lixo para transformar em fonte de renda, como exemplo, o ouro e a prata que existem no interior dos processadores e microprocessadores.

REFERÊNCIAS

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COLAVITTI, Fernanda. O que fazer com o lixo - um dos maiores problemas ambientais sem solução tem solução. Galileu, n.143, p.39-50, jun. 2003.
DIAS, Jefferson Aparecido e FILHO, Ataliba Monteiro de Moraes. Os resíduos sólidos e a responsabilidade ambiental pós-consumo. Disponível em:
 <http://www.prsp.mpf.gov.br/marilia/e-books/pós-consumo/livro_pos-consumo.pdf>. Acesso em: 17 ago. 2007.
GONCALVES, Anthony T. O lado obscuro da High Tech na era do neoliberalismo: seu impacto no meio ambiente.
Disponível em:<http://www.patiopaulista.sp.gov.br/downloads/218/ladonegro.doc>. Acesso em: 17 ago. 2007.
LEITE, José Rubens Morato. Dano ambiental: do individual ao coletivo, extrapatrimonial. 2.ed. rev. e atualizada. São Paulo: RT, 2003.
SANTOS, Boaventura Souza. Um discurso sobre as ciências. 12.ed. Porto: Edições Afrontamento, 2001.

Sites consultados
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Disponível em: <http://www.guiadohardware.net/tutoriais/dicas-compra/> Acesso em: 20/10/2011
Disponível em: <http://computerworld.uol.com.br/mercado/2007/08/03/idgnoticia.2007-08-03.8310300828/> Acesso em: 20/08/2007.
Disponível em: <http://www.gartner.com/> Acesso em: 20/10/2011.
Disponível em: <http://www.lixo.com.br> Acesso em: 28/10/2011.

 

Santa Cruz do Sul, 10 de julho de 2016.

Dejair Priebe Ferreira da Silva